Histórico
 

História

Igreja matriz de São Sebastião e São Roque, em Bom Repouso, ano de 1960.
Imagem da Procissão de São Sebastião e São Roque (padroeiros da Cidade).

Um pouco de nossa HISTÓRIA:

 

Situado na Serra da Mantiqueira, na Macrorregião de Planejamento do Sul de Minas, o município de Bom Repouso vem se destacando a cada ano como um dos maiores produtores de morango em nível nacional (ESPINDOLA, E. A. 2009, São Carlos). Com uma superfície de 229,85 quilômetros quadrados, sua população totaliza 10.457 habitantes, sendo 5.679 residentes na cidade e 4.778 no espaço rural (Censo Demográfico IBGE, 2010). Da mesma maneira como ocorreu com outras localidades da região, o povoamento do município se deve aos bandeirantes, em busca de ouro e outras riquezas minerais. Porém, a sua emancipação política ocorreu apenas 1953.

No município se encontra a nascente do rio Moji Guaçu, o que tornou Bom Repouso conhecida como a “rota das águas” ou “cabeceira das águas”, na época dos bandeirantes. O relevo montanhoso, com altitudes que variam de 1200 a 1600 metros, faz com que o clima municipal seja o tropical de altitude, com temperaturas abaixo de 0 ºC no inverno e com verões brandos e úmidos. Motivado pelo potencial decorrente de suas paisagens naturais e suas características eminentemente rurais, o município integra o circuito turístico Serras Verdes do Sul de Minas.

O município passou a se chamar Bom Repouso a partir de sua emancipação político administrativa da comarca de Cambuí-MG. Sua ocupação se deu com a chegada dos bandeirantes que percorriam os caminhos do interior do Brasil na busca de ouro e metais preciosos para a coroa.

Percorrendo um caminho que saía da capitania de São Vicente (São Paulo), tinha duas maneiras para passar no povoado que aqui se formava.  Eles são descritos pela memorialista Rozina, em seu livro, que será lançado em breve, sobre a história do município. Situavam-se no local onde subia a cabeceira das águas que compunha a cidade de Bragança Paulista, Munhoz, e chegava ao bairro campo Alegre, munícipio de Bom Retiro, e prosseguiam até o bairro Boa Vereda que na época era apenas uma. Hoje temos a Boa Vereda de Baixo, a do Meio e a de Cima. E nessa região, como era uma terra com boas pastagens, foram introduzidas umas cabeças de gado e porcos onde alguns dos bandeirantes fixaram moradia cuidando de seu rebanho. Além disso, a região tornou-se ponto de parada e descanso, pois os caminhos eram longínquos e com presença de muitos morros devido à altitude. Os bandeirantes seguiam para o munícipio de Borda da Mata e alcançavam seu objetivo que era o de chegar em Ouro Fino. Esse era o caminho a ser percorrido no período das chuvas.

Outro caminho que percorriam partia de São Paulo no sentido que hoje se encontra a rodovia Fernão Dias, e chegando às proximidades do município de Estiva, subiam a serra em direção a Ouro Fino. Passavam onde se encontra hoje o centro de Bom Repouso. Neste local, dois irmãos mais um grupo de amigos se alocaram com suas tropas passando a trabalhar com a pecuária, voltada à criação de gado e muares. Isto compunha o cenário da fazenda de Roque e Sebastião. Esses faziam de suas propriedades um bom retiro de descanso e trabalho em meio às matas fechadas. De acordo com o almanaque sul mineiro, naquele Retiro, que o povo qualificou de “bom”, existe a felicidade, o remanso da desejada paz, a silenciosa morada do sossego e da tranquilidade. Estas características refletem na vida do povo ainda nos dias de hoje, pois os moradores são receptivos e calorosos com os turistas que se interessam pelas paisagens naturais e agradáveis do município.

Devido a isso, o primeiro nome atribuído ao povoado foi Bom Retiro, e esse primitivo nome foi mudado para Bom Repouso com a aprovação da lei n.º 1058 de 31-12-43. E foi também por outra lei estadual n.º1058 de 31-12-53, que o nome foi alterado para Bom Repouso e elevou a cidade à sede do município, tendo sido instalado a 1.º de janeiro de 1954. Nem toda a população foi convidada a participar da sessão de instalação do novo município. A cerimônia ficou restrita aos principais fazendeiros do município, a médicos, leigos, e outros profissionais liberais. Como descreve a ata da câmara: “Ao primeiro de Janeiro de mil novecentos e cincoenta e quatro, no Edifício das Escolas Reunidas, sob a prezidência de seu Luiz de Andrade, juiz de paz, na conformidade com as disposições a respeito, reuniram-se em sessão Solene as autoridades e pessoas gradas, com numeroza participação popular. Estavam presentes no dia e fizeram uso da palavra o Dr. Halley Lopes Bello, comerciante Jorge Luís de Souza, Dr. Paulo Guimarães, Com. Pedro Cintra, Dona Orzélia de Souza Andrade, e a senhorita Nanci Imaculada de Andrade, não estando ninguém mais a declarar algo, declaro encerrada a sessão”

Existiam na época duas igrejas, a principal que era a matriz construída no centro da cidade destinada aos padroeiros São Sebastião e São Roque, que foram escolhidos para padroeiros em homenagem aos irmãos bandeirantes, descritos acima, que possuíam o mesmo nome. E a igreja do Rosário por sua vez, foi construída em um local mais afastado da cidade, por serem a maioria de seus leigos os congos negros.

De acordo com o censo demográfico de 1950, a população de Bom Repouso era de 274 pessoas na zona urbana e 4.033 pessoas no quadro rural, sendo que não havia como ter muitas construções na cidade, pois a população se concentrava em sua maioria na zona rural.

As famílias, a maioria residente no campo, praticavam atividades voltadas à pecuária, e a agricultura. Não produziam em grandes quantidades e as produções eram de alimentos que ali mesmo consumiam, ou que necessitavam para o sustento dos animais, que eram o meio de trabalho e transporte que em grande parte das propriedades possuía.

Quem vivia na cidade eram os profissionais liberais que atendiam as demandas da população, alguns filhos de fazendeiros que ficavam para estudar, e algumas outras famílias. Os habitantes da zona rural trabalhavam, a maioria, na agricultura, cultivando produtos como fumo, batata-doce, café, feijão e o milho em maior quantidade, produtos voltados à subsistência, com exceção do fumo que comercializavam nos armazéns da região. A batata e o morango, nessa época, nem eram cultivados no município. Este é um indício que ambas as culturas fora introduzidas por migrantes que vieram para esta região.

Era recorrente na região a união de vizinhos dos bairros rurais em mutirões, para ajudar uns aos outros nas colheitas, mesmo que fosse pouco o que ia ser colhido. O motivo de se unirem em mutirões eram as festas que faziam depois da colheita.

O município era um extremo de terras isolado do “mundo”, sem nenhum meio de comunicação, não havia correio, telefone, nem carros, o único meio de transporte era o lombo dos burros. A população não possuía carros, nem as estradas eram transitáveis para automóveis, pois passavam carros de bois e muares usados para transporte. Sem estes meios de comunicação, a população sentia isolada em meio às matas e às montanhas. Haviam registrado na prefeitura no ano de 1955, 2 automóveis e 7 caminhões. A diferença do número de automóveis para o de caminhões era porque transportavam toda família na cabine e na carroceria, e servia para levar os porcos até Itajubá.

A cidade não contava com ampla iluminação pública para todas as residências, sendo que a luz era comprada para ser instalada. Dos 120 prédios existentes (casas), em 1954, 70 eram iluminados, isso dentro do âmbito da cidade, pois a zona rural já nem contava com energia.

Foi por volta da década de 60 que vieram para Bom Repouso, os primeiros imigrantes trazendo o cultivo de batata para o município.

O cultivo de batata, no início, não despertou muito interesse nos habitantes de Bom Repouso, pois não viam nenhum lucro, e trabalhavam por dia nas lavouras de batata. Com o passar dos anos, com o convívio com os agricultores japoneses, é que se mostraram interessados no cultivo.

O cultivo se desenvolveu bem, devido ao clima frio, abundante em água e altitude adequada ao cultivo de batata. A principal qualidade de batata que produziam era a Binje Sueca, variedade muito disputada nos mercados de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, principais consumidores de batata da região.

Com os prejuízos advindos das lavouras de batata, os agricultores não tinham outra saída. Deveriam investir em um novo produto que aumentasse sua renda e consequentemente, a situação econômica financeira do município.

Com a diminuição das produções de batata nas propriedades do município de Bom Repouso, a partir dos anos noventa, começou a ser cultivado um novo produto agrícola: o morango.

As famílias agricultoras iniciaram o plantio de morango e possibilitaram que se tornasse possível seu plantio a todos os agricultores é mais apto a ser administrado por trabalho familiar e seu custo é menor para formar do que a lavoura de batata.  Além de ter um custo menor, tem venda o ano todo, e não é arriscado seu plantio como o da batata.

O morango é considerado o principal produto econômico do município, e colabora efetivamente para manter os empregos e os rendimentos financeiros de considerável parcela dos moradores. São muitos os empregos advindos da sua produção.

Devido à crescente produção de morango no município, há a possibilidade dos lavradores obterem uma vida com maior acesso aos bens e serviços.  Nos dias atuais os produtores de morango apresentam condições de comprar bens de consumo, como veículos, eletrodomésticos, computadores, dentre outros, mas o fruto não gera riqueza a nenhum produtor, apenas lhe proporciona uma vida com melhores condições financeiras.

A importância do morango para Bom Repouso se evidencia por ser a principal atividade econômica do município, gerando emprego e renda para a maioria dos produtores, que majoritariamente utilizam a mão de obra da própria família. A inserção da cultura do morango foi o fator determinante da elevação do nível de vida de toda a população de Bom Repouso, que não só teve acesso a bens de consumo duráveis, mas também passou a desfrutar de uma melhor infraestrutura de serviços, visto que há duas décadas a população vivia a crise da cultura agrícola da batata. De modo geral, a cultura necessita da organização e do planejamento, para, assim, resultar em benefícios socioeconômicos sem prejudicar as condições ambientais do município.

 

BRANDÃO, ARTUR. ESTUDO SOBRE O IMPACTO SOCIAL E AMBIENTAL ADVINDO DA CULTURA DE MORANGO NO MUNICÍPIO DE BOM REPOUSO – MG. UNIVÁS, POUSO ALEGRE, 2014.



 


 

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